quinta-feira, 8 de março de 2007

Hei, João!

"-Hei, joão! Onde você vai com essa arma na mão ?
- Vou matar minha mulher. Peguei ela com outro homem na cama.
- Hum...Então vá, João! Atire nela. Mate-a. Mire na cabeça e trate de não errar.
-Sim! Vou matar minha mulher! Ela anda pela cidade, transando com outro cara...
- Hei, João, eu ouvi você atirar em sua mulher.
- Claro, atirei na cabeça. Seus miolos ficaram pelo chão sobre a poça de sangue. Cuspi na vagamunda morta.
- Hei, João. O quê você vai fazer agora?
-Nenhum polícia vai me pegar!
-Então esconda o corpo. Coloque-o em uma vala e cubra com muita terra. Deixe-o apodrecer no calor. Ficar coberto de vermes.. Depois lave as mãos e a cara e desapareça na favela. Lá nenhum polícia vai te pegar.
- Não vou deixar.
-Nunca vai acontecer, João. Você matou sua mulher que andava transando com outro cara."

A toda as mulheres parabéns pelo dia de hoje. Mas nunca se esqueçam que datas marcadas, homenagens póstumas, discursos inflamados, cartazes, propaganda em horário nobre não fazem a cabeça destes dois aí, representados neste diálogo. Observação: o texto foi adaptado a partir de um clássico de Jimmy Hendrix.
Dados atuais mostram que a violência contra a mulher é ainda maior do que nos tempos do Jimmy. Principalmente nos países pobres e envolvidos em guerras civis. Nestes lugares, o assassinato e estupro de mulheres são usados como armas contra os inimigos. Ah, as crianças, os filhos destas mulheres, também são assassinadas e violentadas.

terça-feira, 6 de março de 2007

Nunca além do tempo.

Estou cansando. Já fumei demais. Já bebi demais. E ainda faço ambos com muita freqüência. Mas tenho dormido pouco e sorrido menos ainda. Já não me exalto como de costume. Não sou mais de tantas atitudes. Estou falando menos. Não por que não queira. Porque me falta energia.
Mais livros, mais filmes, mais silêncio. E um círculo cada vez menor de amigos. Muito menos álcool do que antes já me deixa fadigado e me faz passar mal. Já não tenho o mesmo fôlego.
Acho que o tempo, aquele que já tenho percorrido, me pegou. Não sei se estou amadurecendo ou só envelhecendo. Não sei se há como distinguir as duas coisas. Sei que nem por isso me sinto infeliz

Companheira

Como posso deixá-la só. Seria como abandonar a mim mesmo, se já não sei se sou ela ou se ela se tornou quem eu sou. Posso ver no sorriso dela o frangir da testa que é o meu. E se hoje me esqueço facilmente de tudo, foi justamente por causa dela que me permiti o esquecimento relaxado, tranqüilo dos anti-desesperados.
Sou capaz de perceber o mínimo sinal de sofrimento, daquela angústia que a acomete no final da tarde de domingo. Mas não deixo desaperceber o menor risco de irritação com o trânsito ou a falta de educação que só ela sabe que incomoda demais!
Nos tornamos cativos um do outro? Provavelmente sim. Mas gostaria mesmo de saber se toda liberdade é boa e todo cativeiro mau.